Tuesday, January 20, 2009

Gran finale

Vai uma boléia aí?


Hoje deixo a cidade que um dia já foi chamada de São Paulo de Luanda pela São Paulo de vidro, concreto e pedra que fica no outro lado do Atlântico.

Vim pra esta São Paulo porque queria descobrir uma parte do que é a África, e volto sem ter alcançado sequer metade do meu objetivo. Eu ainda teria tanto pra ver, pra fazer, pra falar, pra comer, pra dançar.

O que vi, fiz, falei, comi e dancei, no entanto, me transformaram em outra pessoa. Ainda não sei exatamente em quem, mas não faz muita diferença: também não sabia direito quem era aquela mocinha que vivia comigo.

Agora entro no avião em direção à outra São Paulo em busca de uma segunda descoberta, essa bem pouco romanesca: o meu espaço. Vivi meio nômade pelos últimos quatro anos e tudo o que eu mais preciso neste exato momento, imediatamente, já, é de uma casa com flores na janela e um gato dormindo no sofá.

Além disso quero descobrir se é mesmo de uma casa com flores na janela e um gato dormindo no sofá do que eu preciso com tanta urgência. Vai que eu só precisava de um pint em Dublin, ou de ver as sakuras de Kyoto caindo por cima da minha cabeça.

De qualquer forma, eu confio em mim. Acho que essa opção pela estabilidade e pelas referências é mesmo o melhor que eu posso me oferecer no momento. Vou sentir falta de (quase) tudo e de (quase) todos, mas haveremos de nos esbarrar por aí.

E pra quem quiser saber a continuação sem-graça do resto da minha vida, aqui vai o link do meu novo blog: maiormelhormaisrapida.blogspot.com.

Saio deste endereço porque do outro lado de Greenwich eu não sou considerada assim tão branquela (e não sou mesmo, tá, tem MUITO mais gente MUITO mais branquela do que eu em São Paulo); porque não serei mais d'Angola; e porque de lá eu vou, afinal, poder cantar meu nome aos quatro ventos, já que não estarei mais sob a custódia da empresa (é brincadeira, mãe, aqui em Angola eu também não estava, viu? Mãe?).

'Té lá.

Sunday, January 18, 2009

Ainda entre parênteses

E Madonna, pra variar, garante o melhor da arrumação das malas (eu já contei que é mais de uma mala?).

Believe me, mala com coreografia é o que há.

Parênteses

Ainda preciso gravar mais cinco músicas pra levar pro Brasil.

Recebi há uns minutos a melhor ligação que poderia receber hoje, a da minha própria mãe.

E eu tô na metade da garrafa de Monte Velho.

Parei a arrumação pra pintar o cabelo, parte fundamental de todos os meus processos de mudança - ah, como eu sou previsível. Aliás, são duas as partes fundamentais envolvidas aqui, ambas igualmente previsíveis: mudar o cabelo e tirar o foco da urgência, que é deixar minha mala pronta.

Estou superbem acompanhada: George Michael cantou Freedom antes de eu entrar no banho pra tirar a tinta do cabelo, Irene Cara entrou com What a Feeling pra volta triunfal.

A Sessão da Tarde sempre arca com a responsabilidade nessas horas (eu sou um produto da mídia). Eu sempre sonhei com o dia em que eu estaria no meio da multidão extasiada dançando Fame na frente, hum, da casa em que eu moro em Angola, dois dias antes da minha partida?

Ainda bem que a realidade é diferente. Tenho certeza que Hollywood poria uns "africanos" vestidos com roupa tribal, grandes máscaras assustadoras cobrindo seus rostos, armados de lanças e escudos pra me acompanhar. Afe.

Me armo de meu Ipod supertribal pra terminar a eterna tarefa de arrumar as malas. A garrafa de Monte Velho menos um copo espreita meus olhos pequenos, já sob efeito do vinho. Estou mais loira e vestida pra matar com meu bubu azul escuro que imita batik. Jack Johnson dá o aval. Pensando bem, tem cantor com J demais nesse Ipod.

E só agora que eu prestei atenção, como é bonita essa frase: "I miss you like the deserts miss the rain".

Saudades, eu? - episódio 347







Cenas da Fortaleza de São Miguel: avião português,
azulejos, sala do prédio central, a vista da Ilha de Luanda, o prédio principal,
Diogo Cão e eu mesma à frente da baía da cidade



Essa aí de cima é a Fortaleza de São Miguel. Construída em 1575 pelos portugueses, virou monumento nacional em 1938, e em 39 passou a abrigar o Museu Central do Exército.

Na minha primeira visita o seu estado de conservação já não era assim dos melhores. Várias estátuas do acervo do museu - e o avião da primeira foto - estavam do lado de fora, a céu aberto, sem receber maiores cuidados ou proteções.

Mas foi a minha segunda visita a que me chocou. A fortaleza, que está passando por uma reforma, teve várias de suas partes postas abaixo. O prédio dos fundos não existe mais. O piso original está sendo trocado, por um bastante parecido, é verdade, mas que não é o original.

Essas fotos são alguns registros da primeira visita. A melhor época pra ir lá deve ser o começo de dezembro, que é quando as acácias espalhadas fora e dentro do prédio florescem, e o céu cintila o azul mais azul de todos os céus do mundo (que eu conheço).

Mas não aconselho ninguém a esperar até dezembro que vem pra ver se ela ainda estará lá.

Nota cômica

A parte engraçadinha da noite foi ouvir, no tal restaurante bacanudo do post abaixo, no meio do meu jantar de despedida, a versão da Simone praquela música do Chico que diz "pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto/eu tô voltando".

Saturday, January 17, 2009

Em busca do tempo perdido

O cheiro delas é levado pelas zungueiras pra todos os lugares. A cor delas, misturada ao das grandes bacias em que são carregadas, também. As mangas, que fizeram da minha infância em Recife um período muito mais sujo e muito, muito mais divertido, me reencontraram em África.

E tanto na publicidade daqui como em slogans nas embalagens dos sumos, me ensinaram o melhor sentido do verbo saber: ter o gosto.


* * *
Hoje de manhã fui ao Roque Santeiro comprar os tecidos que vou levar comigo pro Brasil, nessa tentativa ingênua de manter o colorido das ruas de Luanda próximo a mim.

Almocei moamba de galinha com ginguba.

E jantei num desses restaurantes bacanudos com vista pra baía iluminada da cidade.

Engraçado que a sensação é um pouco como a que eu tive ao deixar São Paulo pra trás: nos últimos dias só fiz coisas legais, muito características da vida própria do lugar, freqüentei o biscoito fino do que a cidade pode me oferecer. Acho que vem daí a dificuldade em entender que eu tô mais uma vez de partida.

Só me lembro disso bem às vezes, como agora, em que olhei o calendário e vi que já é dia 17, e que só me faltam mais três dias aqui, e que - meu Deus!!! - tá muito em cima, tenho que fazer as malas amanhã!!!, e a barriga me gelou.

* * *
Escute estas canções: Kuze ki sta errado, Chelsy Shantel com Loony Johnson, Don't Doubt, Yola Semedo, One Love, Sara Tavares.

Friday, January 16, 2009

Últimos capítulos

Ontem, enquanto esperávamos nossas fahitas ficarem prontas no Big Bite, vimos a melhor cena do penúltimo capítulo de "A Favorita". Ela se desenrolou fora da tv, ali mesmo no pequeno salão da lanchonete.

Umas 25 pessoas, entre sentados à mesa, em pé e no balcão, todas boquiabertas, paralisadas, olhos semi-arregalados, assistiam o confronto final (?) de Flora com o resto do elenco da novela.

Plim-plim.